#227 – Éder Jofre e as memórias do pugilismo
nov 3, 2026

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O episódio Éder Jofre e as memórias do pugilismo aborda o documentário Quebrando a Cara, produzido há 40 anos pelo cineasta Ugo Giorgetti sobre um dos maiores nomes do boxe brasileiro. Tricampeão mundial, Éder Jofre começou no esporte aos 12 anos, seguindo uma tradição familiar ligada ao pugilismo. Considerado um dos trabalhos mais expressivos de Giorgetti, o filme se destaca pela abordagem autêntica e por constituir um raro registro biográfico do pugilista. Para contar essa história, contamos com a participação do jornalista Fabio Altman, sobrinho-neto de Éder Jofre, que fala sobre a tradição do boxe na família, e de Denise Tavares, professora de Comunicação da Universidade Federal Fluminense, que analisa aspectos do filme, especialmente sua contribuição para a preservação da memória social, ao registrar valores e costumes da época em que foi realizado. O episódio integra o registro da pesquisa de pós-doutorado de Liniane Brum, também produtora deste podcast.

[Trilha incidental]

Liniane: Memórias do Pugilismo: esse episódio é o quarto de uma série sobre os documentários e a não ficção do diretor de cinema Ugo Giorgetti. 

Daniel Faria: Hoje o assunto é o filme Quebrando a cara, e também um livro: O Príncipe do Boxe, de Fabio Altman.

Liniane: Eu sou a Liniane Brum, e você já deve me conhecer dos outros episódios sobre o cinema de Ugo Giorgetti.

Daniel: E eu sou o Daniel Faria, midiálogo pela Unicamp. 

[Vinheta Oxigênio]

Liniane Haag Brum: Quebrando a Cara é um daqueles filmes que resistem ao tempo, têm um público cativo e estão envoltos em uma espécie de mística do esporte. E não é pra menos. Ele conta a história de um ídolo dos anos 50 e 60:  Éder Jofre.  

Daniel Faria: Três vezes campeão mundial de boxe, o pugilista começou na luta aos 12 anos. Era treinado pelo pai, José Aristides Jofre, conhecido no meio do boxe como Kid Jofre. 

Liniane: Mas Quebrando a Cara não trata só de Éder Jofre. Um olhar crítico, e declarações de Ugo Giorgetti, mostram outra vertente do filme. Uma delas foi quando ele deu um curso no Instituto de Estudos Avançados da Unicamp em 2018. Ouve só esse trechinho da entrevista:

Trecho Ugo Giorgetti: (…) é um filme sobre uma família do centro da cidade de São Paulo, com ramificações na periferia, é claro, onde até uma mulher lutava boxe, que é a dona Olga Zumbano. Ela tinha um circo, ela desafiava os expectadores pra lutar com ela. Não é sobre o Éder, é sobre o Éder e sua família, como Rocco e seus irmãos.

Daniel: Aqui o diretor faz uma referência ao filme dirigido por Luchino Visconti. Rocco e seus irmãos é um marco da filmografia italiana e do cinema mundial. Ele traz a história de uma família que migra do sul ao norte da Itália, em busca de melhores condições de vida. 

Liniane: Mas, enquanto o filme italiano é marcado pela tragédia, Quebrando a Cara documenta o papel do boxe na vida de um clã e de um campeão brasileiro.

[Efeito sonoro de luta e de torcida do público]

Liniane: Eu conversei sobre Quebrando a Cara com a professora da Universidade Federal Fluminense, e pesquisadora em audiovisual e não ficção, Denise Tavares. E entrevistei o escritor Fabio Altman, autor de O Príncipe do Boxe. Neste livro, Altman recupera a história de Waldemar Zumbano, tio e mentor de Éder Jofre. Waldemar, o Neno, como era chamado na intimidade, é avô de Fabio. Na família de boxeadores, além de mestre, ele era exemplo de ética e integridade. (02:55)

Vou apresentar primeiro a conversa com o Fabio, e depois com a Denise. 

Daniel: Em 2014, Fabio Altman, que também é jornalista e editor-chefe da revista Veja, fez uma matéria sobre o cérebro de Éder Jofre. O campeão tinha 78 anos. Na época, a reportagem para a revista Veja revelou que o lutador sofria de demência pugilística, e não de Alzheimer, como se suspeitava.  

Essa matéria, e a ligação do jornalista com o avô, foram fundamentais pra criação do livro O Príncipe do Boxe. A gente entende melhor ouvindo o próprio Fabio.

Fabio Altman: A construção do livro desde o momento inicial, ele tinha um dilema. Pra nossa família, que crescemos ouvindo boxe e acompanhando boxe, o boxe é um esporte que não faz mal à saúde, mas é evidente que o boxe faz mal à saúde. Só que a gente cresceu ouvindo e aprendendo um aspecto fundamental do boxe, que é a atividade esportiva, a atividade de respeito aos adversários; uma atividade esportiva que tem o instinto humano envolvido, mas tem os limites de até onde você pode ir, porque você tem um juiz. Então, a gente sempre lidou só com isso, o boxe é um esporte, ponto, e não há problema nenhum para a saúde, o que não é verdade. A origem do livro, além da memória do meu avô, ele nasceu a partir de uma reportagem que eu tinha feito investigando o cérebro do Éder Jofre. Qual era a questão? Ele supostamente sofria de Alzheimer, mas as terapias, os medicamentos, o acompanhamento sugerido, não estava surtindo efeito nenhum. 

Então, a família supôs que fosse necessário investigar melhor, e essa investigação é que eu acompanhei. Acabei fazendo a matéria, o meu pai na época era vivo, conversei com ele, ele falou que faz, que é importante pra a educação do boxe, pra o futuro do boxe, e quando fui fazer o livro, isso voltou totalmente. Porque no livro também ia contar essa história ; mas esse fato, essa sensação, esse dilema, ele atravessa o livro. 

Liniane:  E por aí o autor do livro vai entrando no filme. Entre relato do seu processo de criação, reflexões sobre o clã Jofre-Zumbano e anedotas do mundo do boxe, o documentário de Giorgetti ganha contorno e atualização.

Fabio Altman: O Quebrando a Cara é interessante porque ele não nega a violência do boxe, ele vai contando lá as histórias da família,, tem um bandido, vamos chamar assim, da Boca do Lixo, o Quinzinho, obviamente de um tempo romântico, isso é… importante dizer. Ele conta lá no filme histórias interessantes de um irmão do meu avô, o Tonico Zumbano, que era uma espécie de Robin Hood dos anos 50, 60. Ele brigava contra bandidos, contra ladrões, contra gente que assaltava, e ele lutava contra essas pessoas sem nenhuma arma, era na mão. Por que ele fazia isso? Porque fora do ringue ele era um cara forte, ele sabia lutar, ele sabia se defender. O filme revisto hoje, embora ele seja um documentário, um documentário sobre uma família, tem pontos polêmicos que podem vir a fazer barulho, que nos anos 70 não faziam barulho, um pouco de machismo, um grupo de homens, a exceção de uma mulher, que é interessante, que fazia luta livre. 

Liniane: Pra gente não se perder: Raquel Zumbano, mãe do Fabio, é prima de Éder Jofre.

Daniel: A ascendência é a seguinte. Waldemar Zumbano, o Neno, é irmão de Angelina e pai de Raquel Zumbano, a mãe do Fabio Altman. Angelina Zumbano casou com Aristides Jofre, o Kid Jofre, com quem teve quatro filhos, entre ele o Éder, que ficou famoso.

Fabio Altman: Há um aspecto político muito interessante na história do Neno, do meu avô, do Waldemar Zumbano, que conversa com o Brasil daquele momento, que era início dos anos 1930, sobretudo a partir de 1937, no Estado Novo, na ditadura do Getúlio Vargas. O meu avô, que já era militante, operário, do Partido Comunista Brasileiro, ele é preso, e ao sair da cadeia, é forçado a ir pra a clandestinidade. Ele sabia desenhar e sabia lutar boxe. Aí ele pega um ringue de boxe, obviamente desmontado, com hastes, com lona, põe embaixo do braço e vai de ônibus ou de carona pra o interior de Minas Gerais, próximo a Mococa, que era o estado de São Paulo. De dia ele pinta cartazes de cinema e, à tarde e no período da noite, desafia pessoas das cidades nas quais ele visitava pra fazer lutas de boxe. Como ele estava foragido, não podia ir em algumas das cidades, ele inventou um pseudônimo, e é com esse pseudônimo que ele se apresentava. E o pseudônimo que ele criou, lendo nos jornais, foi Frank Éder. Quando a irmã do meu avô, Angelina, ficou grávida e deu à luz ao filho dela com o Kid Jofre , nasce o bebê, não sabem que nome dar, e a Angelina se vira pra o marido, o Kid, e pergunta: “como é mesmo o nome que o Waldemar usa pra fugir da polícia nas lutas de boxe”? Aí o Kid Jofre lembra que é Frank Éder. Então o nome do Éder Jofre tem essa herança política, nasce do fato do meu avô ter sido forçado à clandestinidade, por causa das atividades políticas, e ter criado esse pseudônimo. 

Liniane:  Durante a conversa, eu quis saber se pra escrever “O Príncipe do Boxe”, o Fabio recorreu a “Quebrando a Cara”. 

Fabio Altman: O filme assim, pensando com mais calma, ele é mais do que fundamental na construção do livro, ele é quase como uma espinha dorsal. Tem uma cena específica, essa cena que eu fui rever pra relembrar do meu avô, pra voltar a conviver com ele, essa em que o Éder está entrevistando, o Éder Jofre está sentado em uma perna apoiada em uma mesa,  o meu avô em uma cadeira, ambos conversando, e tem algum momento em que a câmera faz um close e vai um pouco na mão do meu avô, que era muito italiano, falava com as mãos –  e vai mexendo com as mãos. E aí tem um trecho do livro em que eu falo disso, ao falar das mãos que desenham, das mãos que se movimentam, que se mexem. 

Liniane: Essa cena que Fabio menciona traz Éder Jofre como entrevistador do tio, Waldemar Zumbano. A estratégia criativa é clara: ao ceder o microfone ao cine biografado, o diretor evidencia a proximidade entre tio e sobrinho. Giorgetti sai de cena, literalmente, pra que a magia do momento seja registrada.

Fabio Altman: Tanto o meu avô Neno, quanto o Éder Jofre, desenhavam muito, muito bem, tá? Que é uma contradição, digamos, bonita. O boxe é um esporte no qual as mãos são usadas pra bater, né? Você fecha a mão dentro de uma luva e soco. Isso soa contraditório, né? Do desenho, que é a mão sem luva, com delicadeza, segurando um lápis, uma caneta, um pincel. Importante lembrar que tanto o meu avô, mas sobretudo o Éder Jofre, depois eles aprenderam a desenhar com o Aldemir Martins, que era um famoso artista plástico brasileiro. 

Daniel: Aldemir Martins foi um ilustrador, pintor e escultor, reconhecido tanto no Brasil quanto no exterior. Representou cenas do nordeste e inconfundíveis gatos coloridos. O seu trabalho também se estendeu à indústria e à televisão. Só pra ficar em um exemplo: ele criou a abertura da histórica novela Gabriela, da TV Globo, inspirada em Jorge Amado, lá em 75. 

Fabio Altman: O Éder Jofre usava os desenhos um pouco como uma terapia também. Então, assim, ele viajava, véspera de luta, dia seguinte à luta, ele ficava desenhando; e tem um negócio muito legal, que, indo na casa dele, ele tinha alguns desenhos guardados e sempre tinha a data do desenho. Tinha desenho que ele tinha feito na véspera mesmo de luta importante.

Daniel: Isso explica as cenas em que Éder aparece desenhando. A pesquisadora e professora Denise Tavares, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense, também trouxe essa questão para o debate.  

Denise Tavares: O filme mostra a relação do Éder Jofre com a pintura. Isso coloca ele num outro lugar, né? É alguém que gosta de bater, de lutar. É forte pra isso, treina duro pra isso. A gente vê cenas dele treinando. E aí, ao mesmo tempo, é um pintor sensível, gosta de desenhar, fica olhando a filha. Aquela cena é muito terna é muito bonita. Aquela sequência em que ele tá com a filha, pintando, é muito bonito. 

Liniane: Na entrevista com a professora Denise, tentei explorar os aspectos estéticos, formais e históricos do documentário.  

[Efeito sonoro luta e de torcida do público]

Liniane: Uma das primeiras questões que surgiram: seria possível enquadrar Quebrando a Cara? Quer dizer, a gente pode considerá-lo tributário do cinema latino que se colocou próximo à realidade social e política, lá nos anos 60 e 70? Ou será que esse é um documentário tão inclassificável quanto à ficção do cineasta?

Denise: Do ponto de vista da história do documentário ou da tradição do documentário, eu acho que o Quebrando a Cara não pode ser enquadrado e talvez isso seja a grande qualidade dele. Ele não é um documentário tradicional, não é um documentário que também é experimental, mas é um documentário biográfico,mas que não fica naquela versão tradicional. Apesar de fazer uma linha do tempo, apesar de também recorrer à família, esse contexto aparece muito mais pra explicar quem é o Éder Jofre, pra mostrar quem são aquelas pessoas que estão ligadas ao boxe no Brasil, naquele contexto, e que acho que até agora não apareceu nada similar do ponto de vista de importância.

Então, acho que a gente não pode ficar enquadrando esse filme, acho que ele não merece isso. Principalmente a gente tem que valorizar o que ele traz de fresco em termos de linguagem, porque ele nos cativa tanto. Eu não enquadraria em nenhuma linguagem: “ah, é um documentário tradicional, com voice over”. Não. É um documentário de 1986, mas que do ponto de vista cinematográfico ele tem toda a marca e a competência do diretor, do Ugo Giorgetti, que é um grande diretor do Brasil, e ele vai fazer um documentário e faz do jeito que ele sabe fazer cinema. Antes de tudo, um cinema de alta qualidade.

Liniane: Um ponto trazido espontaneamente por Fabio Altman também foi uma questão enfrentada pela pesquisa: o universo masculino e machista. A cada sessão do filme, a cada fichamento ou análise, foi ficando claro que esse era um aspecto que precisava ser trazido à luz e debatido. Pensando nisso foi que perguntei pra Denise: será que o documentário afasta o público feminino, será que ele não foi feito, mesmo que involuntariamente, pra homens?

Denise: Bom, você está perguntando se uma mulher pode se interessar, né, pelo filme.  Com certeza, eu me interessei muito. E mesmo assim, vendo esse ambiente machista, esse ambiente não está tão diferente hoje. E a gente também não pode ficar vendo só documentário que não seja machista, porque o machismo está atravessado, a misoginia está atravessada na cultura brasileira ainda. A gente nunca teve tantos feminicídios como agora. Então, é um filme que merece ser visto, inclusive pra gente conhecer mais profundamente, né, as matrizes desse machismo, ver que ele se estende ao longo do tempo.

Então, pra mim, ele é um documentário que, apesar de ser realizado por homens, ele não é exclusivamente para homens, ele tem a chave da época, é lógico. O Éder Jofre era/ ficou muito conhecido na época, né, com todos os méritos, digamos assim, porque ele de fato ganhou o título mundial, e essa coisa de ser um brasileiro é muito importante, quando a pessoa chega lá, ela é, de certo modo, reverenciada, o Éder Jofre foi reverenciado.

É um filme que permite muitas leituras, então, reduzir o filme, à questão do machismo, eu acho que é equivocado. 

Daniel: Entre entrevistas, fotos de família, cenas de treinos e takes da cidade de São Paulo, não faltam as lutas. Denise comenta esse e outros elementos do filme.

Denise: Eu acho que a luta é o fio condutor, as lutas são o fio condutor da narrativa mas, apesar de serem o fio condutor, elas não são a parte mais interessante do filme pra qualquer pessoa; pelo menos pra mim, que não sou fã de boxe, por exemplo, não é o que me amarra no filme, não é o que me faz valorizar o filme. E isso é uma qualidade do filme. Ele consegue criar linhas narrativas, na verdade, não é uma só, mas cria linhas narrativas paralelas, em termos de importância, que fazem com que a gente goste do filme, se apegue a um aspecto ou outro. Então, o filme tem sacadas muito interessantes do ponto de vista de você construir um documentário que não seja exclusivamente de entrevistas, como acontece normalmente num documentário de televisão, um documentário do jornalismo. A gente vê aí a experiência do cineasta, que consegue fazer um documentário com várias materialidades fílmicas, com vários materiais, a despeito de estar lá nos anos 70, final dos anos 70, depois dos anos 80, fazendo um filme por um longo período. 

Daniel: O documentário foi realizado de forma independente, em película 16 milímetros. Começou em 1979 e ficou pronto somente em 1986.

Liniane: Durante esse período, o diretor enfrentou o desafio de conseguir os registros das lutas de Éder Jofre. Nem sempre os arquivos televisivos estavam abertos à pesquisa, à cessão das imagens, ou até mesmo organizados. A realização do filme travou justamente nesse ponto. 

[Efeito sonoro de luta: locutor e torcida]

Daniel: O final feliz: depois da longa espera, o diretor conseguiu inserir no documentário os principais ringues enfrentados pelo campeão brasileiro. Um feito que os fãs e entusiastas do esporte, agradecem até hoje.

Liniane: A gente selecionou um trecho de O Galo de Outro, a biografia de Éder Jofre escrita por Heitor Mateucci. Ele descreve uma das lutas mais emblemáticas do campeão:

Daniel: “Na noite de 18 de novembro de 1960, no Olympic Auditorium de Los Angeles, Éder Jofre nocauteou o mexicano Eloy Sanchez no sexto assalto e passou à história como o primeiro brasileiro a conquistar um título mundial de boxe. Os últimos instantes da luta foram dramáticos e inesquecíveis: eram dois pequenos gladiadores a trocar golpes junto às cordas e, torcendo por eles, com os ouvidos colados ao rádio, milhões de brasileiros e mexicanos a sofrer e vibrar pelo seu herói.” 

[Trecho de Quebrando a Cara] Flavio Araújo: “Sensacional. Ele colocou a esquerda no fígado, Eloy Sanchez está pelo solo. Dessa vez não vai ter condições. Contagem: 4, 5, 7. Atenção, Éder pode ser campeão daqui a pouco, Éder Jofre, campeão mundial de boxe. Um momento extraordinário na vibração dos brasileiros. Este pequeno lutador que acompanhou, Kid Jofre, Aristide Jofre, o homem que incentivou Éder, o homem que treinou Éder, o homem que colocou Éder como campeão do mundo. Abraça o seu filho, beija o seu filho. É um momento de emoção extraordinária, meus amigos de todo o Brasil. Nós temos um campeão mundial de boxe, Éder Jofre, extraordinário”.

Liniane: Sim, a gente acabou de ter uma palhinha do que foi a luta que fez o Éder Jofre, campeão mundial. Quem narra esse emocionante final da luta é o locutor esportivo Flávio Araújo. E sim: essa luta está no Quebrando a Cara.

Daniel: E uma informação importante pra quem for assistir ao filme: embates de Éder Jofre contra José Medel, Johnny Caldwell e Fighting Harada, entre outros célebres lutadores, atravessam o documentário do início ao final.

[Efeito sonoro o som de vibração da assistência quando ocorre o nocaute]

Daniel: Família, boxe, universo masculino, superação. A gente não pode terminar esse episódio sem trazer o olhar da Denise sobre a pluralidade de temas abordados de Quebrando a Cara. E sobre o tão aclamado mote do diretor: a cidade de São Paulo. Mote, que pra quem está acompanhando esta série, é uma constante em seus documentários. E esse aspecto da filmografia de Georgetti não passou despercebido pela professora:

Denise: Hoje a gente pode ver esse filme de uma forma assim bastante interessante do ponto de vista da memória social, da preservação da história. Você tem muito da cidade de São Paulo, ele filma muito a cidade, filma as esquinas, que já não estão assim, já não são identificadas dessa forma. Então, eu acho que o filme, ele tem mais essa qualidade de não só trazer o retrato desse ídolo do passado, que tem que ser preservado – com certeza – mas também trazer um retrato da própria cidade de São Paulo, como que essas pessoas se relacionavam com essa cidade. Não só a família de Éder Jofre, mas você tem o protagonismo da cidade. Você tem muitas sequências da cidade.  Então, com certeza, é um filme que ajuda muito, colabora muito para a memória social, para a nossa história.

Fabio Altmann: o Box é tema muito bom para o cinema, por exemplo, para a literatura, porque você tem no Box o ser humano totalmente, digamos, no seu estado mais bruto, bruto no sentido de ele estar lá com uma luva, calçando tênis, calção, sem camisa quase sempre, em Box Olímpico com uma camiseta, mas assim, no instinto humano total, no fundo, no fundo, no fundo, o objetivo é matar o adversário, só que você não pode matar o adversário, então o Box tem esse fascínio, e o mundo do Box quase sempre é feito de pessoas que vieram do nada, que vieram da pobreza, atrás da fama, então o tempo inteiro tem esse fascínio 

[Efeito sonoro de um nocaute; em tom alto, explodindo] 

Daniel: O Príncipe do Boxe, do Fabio Altman foi publicado pela editora Seja Breve, em 2025.      .

Denise Tavares também é jornalista e autora do livro Documentário Biográfico: recriar uma vida nas telas, lançado em abril deste ano pela Gênio Editorial.

Liniane: Esse trabalho de divulgação da obra de não ficção do cineasta Ugo Giorgetti é realizado no âmbito do Programa Mídia Ciência, da Fapesp, no Labjor, com supervisão e edição da Simone Pallone. 

A pesquisa de pós-doutorado que deu origem a esse podcast foi desenvolvida por mim, também no Labjor, também com supervisão da Simone.

As entrevistas, a pesquisa e o roteiro do episódio foram feitos por mim, Liniane Brum. A narração é minha e do Daniel Faria. Ele é aluno do curso de Midialogia, da Unicamp. A edição do episódio é do Guilherme  Lopes. A vinheta do Oxigênio é do Elias Mendez. As trilhas e os efeitos sonoros usados no podcast são do Free Music Archive e do Quebrando a Cara.

Daniel: A gente vai deixar a ficha técnica do documentário na descrição do episódio. Lá também vão estar as referências bibliográficas que a gente consultou.

As reportagens referentes à divulgação da não ficção de Ugo Giorgetti foram publicadas no dossiê Ugo Giorgetti da Revista ComCiência. 

Liniane: Este episódio tem o auxílio da Diretoria Executiva de Apoio e Permanência, da Unicamp e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a FAPESP, por meio de bolsas, e também da Coordenadoria dos Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa (Cocen), da Unicamp.

Daniel: Você encontra a gente no site oxigenio.comciencia.br. No Instagram e no Facebook, basta procurar por Oxigênio Podcast. E agora a gente também tá no YouTube.

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